Buscando o Autoconhecimento e a Qualidade de Vida através do Boxe
Quem conhece os outros é inteligente. Quem conhece a si mesmo é iluminado. Quem vence os outros é forte. Quem vence a si mesmo é invencível. |
Tao Te King |

ROSS ENAMAIT (www.rosstraining.com)
Punching with Power - Ross Enamait - 2004 . Tradução e nota ao final do texto: Rick (04/09/2008)
O boxe emprega um sistema de pontuação única. Um grupo de juizes pontua cada luta round por round. Se uma luta dura todos os rounds, os juizes determinam o resultado. Ao final da luta a pontuação de cada juiz é somada para descobrir o vencedor.
O critério usado para pontuar uma luta de boxe inclui:
- Eficiência dos golpes
- Domínio de ringue
- Agressividade efetiva
- Defesa
Eficiência do golpe é o mais importante.
Domínio de ringue é quando o atleta coloca seu oponente onde ele quer utilizando-se de uma movimentação superior dentro do ringue.
Agressividade efetiva envolve lançar golpes enquanto se procura a luta. Se você procura a luta sem lançar golpes claros e certeiros a agressão não é efetiva.
Defesa envolve evitar golpes lançados em sua direção.
O PROBLEMA
O sistema de pontuação do boxe é claramente de má qualidade. Muitos juizes não são treinados em relação ao esporte. Outros são subjetivos em sua pontuação, frequentemente pontuando rounds para o “favorito da multidão”. As pessoas diretamente envolvidas no boxe, tanto como espectador, técnico, ou competidor, pode provar a realidade de más decisões.
Talvez você tenha assistido Roy Jones Jr. competir na Olimpíada de Seul na Coréia em 1988. Jones enfrentou o coreano Si-Hun Park pela medalha de ouro. Apesar da performance dominante Roy Jones perdeu a medalha de ouro por 3-2 para o espanto de quem assistiu a luta. Uma investigação subseqüente na pontuação levaram alguns juizes a admitir que foram subornados pelos oficiais coreanos a pontuar contra Jones. A derrota de Roy foi categorizada por muitos como um dos maiores erros chocantes na história dos jogos olímpicos.
Infelizmente más decisões não estão limitadas aos jogos olímpicos. O boxe está infestado pela corrupção frequentemente na forma de decisões erradas dos juizes. Muitos atletas novos perdem sua fé no sistema quando vitimizados pela pontuação. Até Roy Jones Jr. quis se aposentar após a corrupção em Seul. Uma pontuação incompetente quase custou ao esporte um dos grandes lutadores de todos os tempos...
A SOLUÇÃO
Como um lutador faz para evitar uma inevitável corrupção de muitos juizes? Qual a solução para esse problema continuo?
O melhor caminho para prever decisões erradas é assumir o papel de juiz, jurado e carrasco...
Um nocaute apaga todo o sistema de pontuação e garante a vitória. Nenhum juiz pode tirar a decisão de você, você sozinho determina o resultado da sua luta.
Golpear com potencia é um tópico popular entre os aspirantes a lutador. Infelizmente muitos atletas falham em aumentar sua potencia de golpe. Eles sucumbem a teoria que “pegadores nascem pegadores” ou falham em treinar com um sistema que produz resultados.
É possível aumentar a potencia do golpe?
SIM!
Claramente alguns atletas nascem com pegada, mas todos os atletas possuem a habilidade de fazerem melhoras consideráveis. Você não esta limitado a sua habilidade natural.
As características que estão empregadas a um golpe potente são:
- Técnica
- Equilíbrio
- Tempo de reação
- Alcance do golpe
- Acuracidade ou “pontaria”
- Relaxamento
- Velocidade
- Força
Técnica, equilíbrio, tempo de reação, alcance do golpe, pontaria e relaxamento são atributos que o atleta deve desenvolver fora da academia de musculação. Sem essas habilidades um atleta nunca vai conseguir aumentar sua potencia de golpe. Muitos atletas jovens enfatizam demais o treino com peso buscando desenvolver potencia. Esses boxeadores cometem o erro de confundir treino de força com treino de técnica. Grandes dos “pegadores” de todos os tempos nunca treinaram com pesos. Sua potencia se originava da execução própria das técnicas.
Os componentes primários de treino para aumentar a potência explosiva e velocidade são:
- Treino de força
- Pliometria
- Treino complexo
- Exercícios de velocidade das mãos
- Treino do torso
Para melhorar a potencia do golpe devemos entender a definição de potencia. Potência é comumente definida com a equação seguinte:
POTÊNCIA = FORÇA x VELOCIDADE
Potência envolve uma combinação de velocidade e força. Para se ter um golpe potente e efetivo você deve maximizar a força no menor período possível de tempo.
N.T : Um programa de aumento de potência no golpe é complexo e não tem como colocá-lo em palavras, uma vez que cada pessoa é diferente e reage diferentemente de outras. Se você quer se submeter a tal tipo de treinamento efetivo de aumento de potência nos golpes, peça a ajuda de seu técnico para tal, pois é um treino intrínseco que envolve tanto a parte técnica como mencionado anteriormente como exercícios específicos com peso, peso do corpo, bola medicinal, diferentes intensidades de execução de exercícios, isometria entre outros. O texto que traduzi faz parte de um livro de treino do Ross para aumento de potência de 89 páginas com um programa de 6 semanas o qual me submeti e os resultados forma nítidos.
No youtube, tenho um vídeo chamado “Exercícios de Força e Explosão para o Boxe” na qual mostro alguns dos muitos exercícios existentes para aumento de potência. (Rick)
A Arte Marcial do Boxe
Por Tom Shook – Publicado em 2005 no site rossboxing.com
Tradução de Rick Unanian (21/08/2007)
A maioria das pessoas, até lutadores, não acham que o Boxe é uma Arte Marcial. O Boxe é um esporte ocidental e não tem lugar nas discussões práticas de Artes Marciais porque não possui uma situação de um combate de defesa pessoal como muitas pessoas acreditam.
Nada pode ir além da verdade quando discutimos o valor prático do boxe. O esporte é simples para quem está começando a aprender, mesmo assim as complexidades fazem da perfeição perto do impossível de se obter. Pode se levar uma vida inteira para se tornar um mestre da Nobre Arte.
Desde o começo, um boxeador iniciante é ensinado a lutar. Ele (a) irá aprender a jogar jabs fortes e rápidos e diretos. Os fundamentos serão estressados e praticados repetidamente até que se torne natural. É durante este começo que os lutadores são instruídos a manter a distância apropriada, se proteger, movimentação de pernas e soltar golpes sem telegrafá-los. Novos lutadores rapidamente vão para o trabalho de manoplas, saco e teto-solo enquanto praticam seus golpes. Esse treinamento precisa reforçar o equilíbrio, coordenação, controle e pontaria.
Compare este cenário com as Artes Marciais mais tradicionais. Os novatos usualmente são ensinados a ficar em uma postura muito impraticável, que levará a uma vulnerabilidade e sem defesas em um cenário real de luta. Eles são ensinados a socar com uma posição de mão e guarda baixa e usualmente introduzidos a um intrigante sistema de bloqueios que se baseia em ataques específicos jogados no praticante de forma a este responder com a defesa apropriada. Raramente um novato de Artes Marciais solta um golpe em um alvo que não seja o ar, e seus movimentos parecem esquisitos e mecânicos.
Boxeadores aprendem combinações efetivas de golpes e desenvolvem seus cruzados, ganchos, uppers e fintas. Ao mesmo tempo eles também aprendem técnicas de defesas como se desviar, abaixar, mover o tronco, a cabeça e tirar um golpe de seu caminho. É muito comum para um técnico de boxe a jogar contragolpes enquanto faz escolinha (manoplas) com o aluno. Isto faz o aluno lembrar que é necessário prestar atenção às defesas mesmo durante a aplicação de um ataque ou em alguns casos em contra-ataques. Um boxeador brevemente entenderá a importância de retornar suas mãos para a posição de guarda depois de soltar seus golpes, do contrário tomará um doloroso contragolpe. A toda hora um boxeador está se movendo pelo ringue, melhorando seu jogo de perna e tempo, bem como suas defesas em uma maneira fluída e natural.
No Boxe, há um foco pesado no treino de condicionamento físico que não é enfatizado na maioria das Artes Marciais tradicionais. Boxeadores irão executar exercícios para desenvolver força, velocidade e “gás”. Eles irão desenvolver a habilidade de lutar mais tempo e mais duramente, continuando a lutar enquanto sente a fadiga e absorve golpes do oponente. A importância de ser capaz de “ir até o fim” é estressada logo cedo na carreira de um boxeador.
Boxeadores dedicam muito tempo de treino fazendo sparring. Aqui ele irá colocar todas as peças do quebra-cabeça juntas. No começo, as sessões são conduzidas em baixa velocidade, pouca força ou contato, até que o lutador novato comece a se acostumar ao fato de que ele será atingido. Toma muito tempo fazer alguém tomar pancada no rosto e ignorá-las enquanto continua a se mover e procurar por aberturas para mandar seus golpes. Precisa de disciplina e prática para manter a postura enquanto está sob ataque. O falecido BRUCE LEE uma vez falou que “você aprende a lutar lutando”. Ele atingiu exatamente o ponto com esta frase.
Quando fazendo sparring, especialmente com sessões mais reais, um lutador irá aprender o que funciona e o que não. Seu estilo será desenvolvido naturalmente, baseado em seu próprio e único atributo físico. Também no sparring, aprenderá um dos mais importantes quesitos para se lutar: Se manter relaxado! Qualquer lutador sem experiência tem a tendência de ficar tenso quando está em uma situação de ameaça. É normal vê-los paralisados de tão tensos que estão que não se tornam efetivos durante a luta. Quando tensos, a fadiga virá rápida e ao mesmo tempo, um lutador tenso é um lutador lento.
Enquanto a maioria do arsenal de um boxeador parece pequena em comparação a outra Arte Marcial, é muito fácil ver que não se pode tomar o erro de confundir quantidade com qualidade. O tempo que leva para decidir qual técnica entre tantas que se deve usar, mais lento sua resposta será.
Um boxeador é capaz de se defender da maioria das situações de defesa pessoal. É muito difícil você enfrentar um oponente que está em constante movimento e jogando combinações rápidas, explosivas, poderosas e consecutivas. Ele (a) acerta com precisão e força e evita golpes enquanto se posiciona para contra-atacar. Um boxeador tem o “gás” suficiente para continuar lutando em um ritmo forte e rápido enquanto que a maioria dos atletas bem condicionados já estarão exaustos até para se defender.
Não é minha intenção desacreditar qualquer Arte Marcial ou seus praticantes, eu estou simplesmente colocando meu ponto de vista tomando como base a força de um boxeador bem treinado. A Nobre Arte tem muito a oferecer à pessoa que está precisando aprender a como se defender como defesa pessoal mesmo que não queira competir em um ringue.
Como dizia o grande mestre BRUCE LEE, faixas servem para segurar as calças, elas não bloqueiam golpes que vem na direção do seu corpo e não há sentido em se proteger com os punhos a região ao lado da cintura enquanto ataca com a outra mão bem como defender um soco frontal quando sua mão da frente está a proteger seu joelho!!!
Tive uma vez um desafio contra um faixa preta e eu, com uma experiência de mais de 20 anos no boxe, não precisei de mais de 1 minuto para nocauteá-lo com um gancho no fígado após me esquivar de um ataque frenético e sem guarda alguma.
Se eu tivesse que dar um pequeno conselho a esta pessoa ou a qualquer aspirante a lutador seria esse: Faça suas flexões, suas corridas e assista a algumas fitas das lutas de Mickey Ward. De onde eu venho, a única faixa que importa é uma onde tem escrito “CAMPEÃO MUNDIAL DOS PESOS MÉDIOS” e você precisa ganhar esta do modo difícil. Como meu amigo Ross Enamait gosta de falar: “No teammates, no timeouts, no place to hide”, ou seja, “Sem companheiros, sem pedido de tempo e sem lugar para se esconder”. Quem pode discutir com isso?
MEU TÉCNICO NÃO ACREDITA QUE...
Inside the Ring - Ross Enamait 2004 . Tradução: Rick (20/03/2007)
Um de meus objetivos é que o boxe cresça deixando cair por terra muito dos treinos arcaicos e mitos que assombram nosso esporte. Muitos destes mitos são em relação ao treino com pesos e corridas de longa distância.
Treinadores da “velha guarda” ensinam você a correr 6km todo dia. Eles ainda insistem que você evite treinar com pesos. Esses treinadores cresceram em uma era diferente, onde a ciência não estava nem de perto avançada como está hoje. Infelizmente, muitos destes treinadores da antiga passaram seus ensinamentos e mitos para seus lutadores e estes passaram a diante a novos lutadores e assim vai... O resultado no final é um mal-entendido em relação ao treino de boxe e requerimentos de condicionamento. Estes treinos arcaicos foram passados de geração para geração.
Eu recebi recentemente um e-mail onde a pessoa informou que seu treinador se opôs ao treino com pesos e corrida de intervalos. Isto é comum em nosso esporte.
O que um lutador faz nesta situação?
É uma pergunta dura de responder. Como lutador você deve desenvolver um censo de confiança com seu treinador. Você deve acreditar nos conselhos dele. Ele será a pessoa que irá trabalhar em seu córner e te preparar para lutas seguintes.
Mas qual a relação de seus conselhos com a ciência? A ciência pode pintar um quadro bem diferente daquilo que seu treinador prega. Você deve falar para seu treinador que ele está errado e informá-lo dos benefícios do condicionamento anaeróbico e do treino de força?
Deixe-me listar alguns nomes que me vem a mente de todos que trabalham com peso e condicionamento anaeróbico...
- Shane Mosley
- Oscar De La Hoya
- Kostya Tszyu
- Kermit Cintron
- Evander Holyfield
Fora suas práticas de condicionamento e força, o que mais há em comum com estes lutadores?
Eu responderei esta pergunta para você... Estes lutadores também dividem um reconhecimento merecido como top de linha a nível mundial. Estes são os melhores dos melhores. Evander Holyfield pode ter passado de sua hora, mas nos seus dias, ele era um dos mais condicionados atletas de todos os tempos.
É difícil discutir com resultados. Estes lutadores são a prova viva que o treino de força e com pesos NÃO fará você mais lento, contanto que você treine de uma maneira específica para o boxe. Nós não somos fisiculturistas, portanto não se preocupe como os fisiculturistas treinam. Nós somos boxeadores.
Você pode inquestionavelmente levantar peso de uma maneira a aumentar sua força, sem atrapalhar seu programa de treino de boxe.
Ao invés de começar uma discussão com seu treinador, eu sugiro que você calmamente discuta este tópico. Explique a ele o que você aprendeu a respeito deste assunto. Se ele não concordar, peça a ele seis semanas para provar o valor deste tipo de treino. Um programa de seis semanas de treino será o suficiente para demonstrar que aumentará sua força e condicionamento anaeróbico.
Não limite sua habilidade baseado naquilo que outra pessoa não sabe. Você é o atleta, portanto confie em você para melhorar sua performance. Você obviamente se preocupa com sua performance. Se seu treinador não concorda com condicionamento anaeróbico e treino com pesos, você deve fazer por você no seu tempo que dispuser.
Você apenas vive uma vez, então eu te aconselho a treinar sem arrependimentos. Está na hora de colocar um basta nestes pensamentos antigos. É SUA responsabilidade maximizar O SEU treino de força e condicionamento. Ninguém pode fazer estes exercícios por você. Você precisa falar com seu técnico ou tomar a iniciativa de melhorar seu condicionamento e força por você mesmo.
TREINANDO INTERVALOS
Extraído do livro “The Boxer´s Guide”- To Performance Enhancement de Ross Enamait – 2004 – Tradução: Rick. (21/11/2006)
O treino de intervalos é um dos caminhos mais efetivos de melhorar o condicionamento anaeróbico. O treino de intervalos é talvez o mais importante aspecto do seu programa de condicionamento. Intervalos levam a intensidade a outro nível.
“Eu descobri que quanto mais duro eu trabalhava parecia que eu tinha sorte cada vez mais” – Thomas Jefferson
Tome um minuto do seu tempo e leia de novo esta famosa frase de Thomas Jefferson. O boxe tem muito pouco a ver com sorte. Seu sucesso depende do trabalho duro. As três palavras importantes que descrevem os atributos de um boxeador ou boxeadora incluem...
- Esforço – Estar preparado para treinar duro
- Perseverança – Quando a coisa ficar ´´preta``, treine mais duro.
- Consistência – Campeões e campeãs não se desenvolvem de um dia para outro.
Intervalos repetem a taxa trabalho / descanso que você apresenta em cima do ringue. Existem várias variações de treinos de intervalos.
Por exemplo, suponha que você está se preparando para lutar 4 rounds de 3 minutos. Você deve construir seu programa de treino de intervalos dentro deste parâmetro.
Trabalho total: 12 minutos (4 x 3 minutos)
Descanso total: 3 minutos (1 minuto de descanso entre os rounds 1, 2 e 3).
Quando montar um programa de intervalo é melhor correr um intervalo a mais que o número de rounds que irá lutar. Como exemplo, se você lutar 4 rounds, você deverá correr 5 (ou mais) intervalos.
Usando o exemplo acima, mostraremos um programa de intervalo de 5 x 3 minutos. Os três minutos de trabalho envolvem uma corrida rápida e constante. Se você tem acesso a uma pista de atletismo, corra duas voltas ( 800 metros). Duas voltas levam aproximadamente 3 minutos a serem percorridas.
Notem que esta rotina se chama corrida de intervalo e não “intervalo de trote”. Sua intensidade deve ser construída em cima de uma corrida rápida e não uma corrida casual. Você deve preparar seu corpo a executar o máximo esforço possível por 3 minutos consecutivos. Corra o mais rápido que puder, pois a evolução de sua performance será determinada pelo esforço que fará no seu treino. Faça estes intervalos com alta intensidade que verá resultados. Seu período de descanso deverá ser 1 minuto ou menos entre cada intervalo.
O treino de intervalo é extremamente difícil. Quando se treina os dois sistemas de energia anaeróbica, seu corpo manda bastante ácido lático para os músculos. Esta reação gera aquela sensação familiar de fadiga muscular e dor.
Treinando regularmente estes intervalos, você aprenderá a superar e ultrapassar a fadiga. Você será capaz de sustentar intervalos mais longos e mais intensos. Irá correr mais rápido, com uma melhora de recuperação. Estes melhoramentos serão rapidamente traduzidos ao sucesso e “gás” dentro do ringue.
O BOXE CUBANO
Por Ross Enamait, M.S., CFT, tradução de Rick (04/09/2006)
Eu tenho recebido várias perguntas de boxeadores que procuram informações de programas de treinos de muitos campeões mundiais. Os exemplos incluem ´´Como o Mike Tyson treina?´´... ´´Como o Roy Jones Jr. Treina?´´... e aí vai.
Uma pergunta que eu nunca recebi é ´´Como os amadores Cubanos treinam?´´
Eu acho estranho que ninguém pergunta sobre o programa de boxe amador Cubano. Será que é o porquê o país é pequeno e com pouco dinheiro? Será que pode ser que é porque o país tem falta de um equipamento de treino ´´hi-tech´´ e outras facilidades comuns nos EUA?
Apesar de todas estas verdades, o programa de boxe amador Cubano continua a dominar o circuito internacional.
Cuba é pequena. Eles não têm nem de longe tantos atletas a escolher em comparação a países maiores. Cuba não tem apoio financeiro de muitos programas de treino Olímpico. Não há lucratividade e nem equipamentos modernos. Estes atletas são pobres e famintos. No entanto, a ´´fome´´ deles´´ é mais do que a fome por comida. Esses atletas são famintos pelo sucesso dentro do ringue.
O domínio de Cuba é uma prova viva que você pode fazer muito com pouco. Você não precisa de um elaborado e caro equipamento de treino para ter excelência neste esporte. Tudo o que você precisa é o desejo de vencer, acompanhado de um treinador com conhecimentos.
Eu cresci treinando no Clube de Boxe de San Juan em Hartford, Connecticut. Nós não tínhamos pesos, anilhas ou máquinas de musculação. Nós apenas tínhamos saco para bater velho e vestíamos nossas luvas de treino. Nunca tivemos um equipamento moderno, mas sempre produzíamos campeões tanto no nível amador quanto no profissional.
Os boxeadores das áreas vizinhas sempre sabiam que eles teriam uma luta difícil se fosse lutar com alguém do Clube de Boxe de San Juan. Nós fazíamos muito com pouco (equipamento).
Como você consegue fazer sem um equipamento elaborado de treino?
Use o programa de treino Cubano como exemplo. Esses lutadores atingem o saco fortemente e sempre. Eles treinam juntos em técnicas dois a dois. Eles seguem a risca o programa de corrida sem perder um dia. Eles fazem luvas (sparring) sempre e em ritmo forte. Eles trabalham exercícios de condicionamento e força diariamente.
Talvez a mais importante, esses lutadores competem regularmente. Eles participam de torneios frequentemente. Não há substitutos para uma experiência real. Você precisa entrar dentro do ringue para praticar as combinações que você aperfeiçoou no saco. O saco não revida. Não contra-ataca, finta ou sai de lado. Ele fica parado enquanto você bate sem dó.
Você precisa entrar no ringue com outro boxeador treinado que realmente desenvolveu suas técnicas neste esporte.
Você não precisa de equipamentos para uma sessão de corrida de sprints, um trabalho de morro ou um treino de corrida de intervalo. Você não precisa muito equipamento para um treino de intervalo no saco, etc.
Eu posso responder a seguinte pergunta com uma frase...
Pergunta: Como os Cubanos treinam?
Resposta: Os Cubanos treinam duro, para valer.
Para expandir esta resposta, os Cubanos dedicam suas vidas ao boxe. Eles comem, dormem e sonham com boxe. Não há distrações. Eles não ficam até tarde assistindo TV ou jogando videogame. Eles acordam cedo e correm duramente. Eles treinam duro na academia. Eles fazem luvas (sparring), treinam no saco e treinam novas técnicas e combinações.
Esses lutadores treinam com o coração. Eles não possuem equipamentos modernos e nem tomam estes suplementos caros. Eles substituem toda esta falta de equipamento, compensando com o coração, desejo e perseverança.
Aprenda com o melhor. Observe os boxeadores Cubanos nas Olimpíadas. Olhe e aprenda. Eles são os melhores amadores do mundo.
É MELHOR VOCE FAZER O SEU TRABALHO DE CORRIDA
Por Ross Enamait, M.S., CFT, tradução de Rick
O melhor jeito de se preparar para este esporte é entrar no ringue e boxear. Não interessa o quanto você faça para seu condicionamento físico, se você falhar em fazer sparring, você nunca estará em ´´condicionamento de luta´´. Eu não sei o que causa este fenômeno, mas eu posso atestar que é verdade.
Correr e trabalhar no saco pesado não irá preparar seu corpo para o vigor associado a uma luta árdua. O que um programa de corrida IRÁ fazer, entretanto, é aumentar sua habilidade de sustentar um sparring mais intenso. Se você pegar um boxeador que vai a academia todo dia, mas nunca corre e coloca-lo para fazer luvas com um lutador de mesma técnica que faz seu programa de corrida religiosamente, eu aposto que 9 entre 10 vezes que o vencedor será aquele que sempre corre.
Então você pergunta, o que você quer dizer com ´´correr´´ ou ´´trabalho de corrida´´? Eu cresci neste jogo entendendo que trabalho de corrida significava acordar cedo pela manhã, fazer um jogging de 5 a 6 km. Enquanto que esta rotina é muito melhor que apertar o snooze do alarme, não é a maneira mais eficaz de usar seu tempo precioso de treino.
O boxe é estimado em aproximadamente 70-80% anaeróbico e 20-30% aeróbico. Deixe-me explicar. Anaeróbico significa conduzir uma atividade sem oxigênio. Exercício anaeróbico, como o boxe, estressa o músculo em uma intensidade alta por períodos curtos de tempo. Essencialmente, equivale as rápidas combinações que um lutador usa dentro do ringue. A porção aeróbica da luta entra quando você circula pelo ringue, quando, por exemplo, para tomar um fôlego.
Exercício aeróbico é definido como baixa intensidade, repetição de movimentos executados em longos períodos de tempo.
Jogging é obviamente uma atividade aeróbica. Então, porque focar seu trabalho de corrida em 20-30% de uma luta?
Uma frase comum na comunidade atlética atual é ´´treino específico ao esporte´´. Adivinhe, boxeadores podem fazer seu programa de corrida mais ´´esporte-específico´´ treinando Intervalos. Treino de Intervalos, consiste em correr forte com a mesma duração de tempo de 1 round por 2 ou 3 minutos dependendo se você é amador ou profissional. Seu período de descanso será aproximadamente o mesmo de uma luta, ou seja, 1 minuto. Se você vai lutar 4 rounds, um bom programa consiste em 5 intervalos. Mas é uma boa idéia, à medida que você ganha condicionamento, manter os intervalos em torno de 8 – 10 para evitar o ´´overtraining´´.
Este programa deve ser executado 2 a 3 vezes por semana. Nos outros dias, é bom fazer a corrida tradicional de 5 a 6 km. As corridas longas ainda são importantes, pois elas deixam o seu corpo preparado para os árduos treinos de intervalos. Quando você treinar, você deve treinar duro, ou nem treine.
Eu recomendo correr intervalos em dias que você não irá fazer sparring (luvas). Não tem coisa pior que fazer luvas sem suas pernas a te sustentar. O treino de intervalo é desenhado a ser intenso. Seu corpo vai precisar de tempo para se recuperar entre as sessões de intervalo. Não deixe de prestar a atenção no descanso e recuperação.
Misture no seu treino, tiros rápidos, trabalho de subida de morro, 200, 400, e 800 m de corrida de intervalo.
Então, o que você está esperando? Cai fora e vá correr!!
UM ERRO COMUM APÓS UMA SESSÃO DE LUVAS (SPARRING)
Por Ross Enamait, M.S., CFT, tradução de Rick (28/08/2006)
Como vocês sabem, eu sempre prego a importância de se fazer luvas (sparring). Não há caminho para aprender boxe sem entrar no ringue e fazer luvas. O saco não revida, então você deve praticar sua técnica contra um outro lutador.
Ao invés de ficar falando sobre a importância do sparring, vamos voltar nossa atenção ao que você faz APÓS o sparring. Tome um tempo e responda a seguinte pergunta:
O que você faz na academia depois de uma sessão de luvas (sparring)?
Um dos muitos erros acontece justamente após o sparring. Eu vejo isso acontecer a toda hora....
Você trabalha duro durante uma sessão de luvas (sparring). Ambos os lutadores estão exaustos quando termina o último round. Você sai do ringue, retira as luvas e o capacete e vai direto ao bebedouro. Depois de uma água gelada, muitos lutadores sentam e descansam por um momento. Depois de descansar alguns minutos, seu corpo esfria e você não quer mais treinar. Você está feliz com a sessão de luvas, então fim de treino....
A fadiga tem um modo engraçado de influenciar nosso processo de tomar decisões.
Não cometa este erro. Quando estiver se preparando para uma luta, não sente após uma sessão de luvas, pegue uma água, dê uma andada por uns minutos. Não tire a bandagem. Uma vez que você está cansado, você pode realmente começar a treinar. Vá para o saco e trabalhe durante 3 ou 4 duros rounds. Se seu treinador estiver à disposição, trabalhe escolinha com ele (manoplas).
Não importa o quão duro você faça luvas, esta não se compara a uma luta de competição. Você não tem que lidar com os nervos e com a multidão. Quando estiver treinando para lutar, você deve ficar cansado na academia! Sim, isso mesmo, ficar CANSADO! Não espere chegar o dia da luta para experimentar a alegria de uma fadiga total. Você deve lutar através da exaustão na academia. Do contrário, você não estará preparado (a) a lutar através da fadiga experimentada durante uma luta de competição.
Você nunca sabe o que esperar dentro de um ringue. Como um amador, há uma grande chance de você não saber com quem vai lutar. Você não sabe se enfrentará um boxeador técnico, um pegador, etc. Você deve estar preparado para lutar cada minuto de cada round.
Luvas (sparring) é apenas um aspecto da preparação para uma luta. Quando você fica exausto no sparring, você deve dar um passo à frente. Acerte o saco, FORTE! Se esforce até que fique exausto. Lembre-se, você não está treinando para parecer bonito na praia. Você está treinando para lutar. Você está se preparando para enfrentar outro boxeador que planeja te nocautear na frente de sua família e amigos.
Você vai deixar ele ou ela treinar mais que você na academia? O que você vai fazer quando estiver completamente exausto no último round? Você já esteve lá? Você já ultrapassou o seu limite de fadiga?
Responda estas questões na academia.





